O Período Intertestamentário
Depois do Profeta Malaquias, houve um longo período de 400 anos chamado de Período Intertestamentário ou Período do Silêncio Profético. Durante esse tempo, foram escritos os livros históricos e religiosos não canônicos, os Livros Apócrifos. Também foi traduzido o Antigo Testamento do hebraico para o grego, dando origem à famosa versão denominada Septuaginta.
O Império Medo-Persa caiu nas mãos do Império Grego, liderado por Alexandre, o Grande. Após conquistar várias nações e reinos, Alexandre morreu precocemente aos 33 anos de idade, sem mais terras para conquistar. Ele expandiu poderosamente seu império, disseminando a cultura helênica e a língua grega, o que se mostrou útil mais tarde para a divulgação rápida e sem fronteiras do Evangelho.
Com a morte de Alexandre, o Reino foi dividido entre seus quatro generais, destacando-se o domínio dos Ptolomeus no Egito e dos Selêucidas na Síria, que estiveram frequentemente em conflito. Israel foi ora dominado por um, ora por outro. Nessa época, Antíoco Epifânio ultrajou os judeus, sacrificando um suíno no Altar do Templo de Jerusalém, o que foi considerado uma abominação por eles. Esse fato deu início à Guerra dos Macabeus, vencida por Judas Macabeu após muito derramamento de sangue.
A Dominação Romana
Mais tarde, em 63 anos antes de Cristo, Pompeu conquistou Jerusalém, e os romanos passaram a governar Israel. Antipatro, da família edomita, foi nomeado rei de Israel, e após sua morte, seu filho Herodes, o Grande, reinou em seu lugar.
Herodes, o Grande, foi um grande administrador. Ele ampliou e embelezou o Templo de Jerusalém, construiu o porto de Cesareia, abrindo o caminho para o comércio internacional e facilitando as viagens dos missionários pelo mundo. Construiu também a Fortaleza de Massada e muitos palácios e fortalezas. Porém, Herodes era um homem inseguro e violento, atormentado pelo medo de perder o trono.
Quando Herodes, o Grande, morreu, por volta do ano 4 antes de Cristo, seu reino foi dividido entre quatro de seus filhos. Arquelau, um desses filhos, reinava sobre a Judeia, Samaria e Idumeia, sendo um péssimo rei. Os judeus, por fim, pediram aos romanos que o retirassem do cargo, e Roma, preocupada com os constantes problemas na Judeia, instalou ali um procurador ou governador romano.
O Nascimento de Jesus
Foi nessa catastrófica situação estatal e política, com o povo de Deus sob o poder odioso dos herodianos e à mercê da escravidão do domínio romano, que Jesus nasceu em Belém da Judeia, cumprindo as profecias bíblicas. O Verbo se fez carne e habitou entre os homens, cheio de graça e de verdade.
Tanto a cultura helenística quanto a romana se uniram à contribuição dos judeus na vinda do Messias. Quando Jesus nasceu, a Palestina estava sob o domínio de Roma, e com a perseguição de Herodes, o Grande, José e Maria fugiram com o menino Jesus para o Egito, lá permanecendo até a morte do impiedoso rei.
O Ministério de Jesus
Aos 30 anos de idade, Jesus deu início ao seu ministério, sendo batizado no Jordão por João Batista, identificando-se com os pecadores aos quais veio salvar. Ali, no Jordão, enquanto Jesus orava, os céus se abriram, e o Pai falou: "Este é o meu Filho amado, em quem me comprazo". Nesse mesmo instante, o Espírito Santo desceu sobre ele em forma de pomba, revestindo-o com poder para dar início ao seu ministério.
Do Jordão, Jesus foi conduzido ao deserto pelo Espírito Santo, onde jejuou por 40 dias e 40 noites, sendo tentado pelo diabo por três vezes. O diabo investiu contra Jesus para derrubá-lo, mas o Filho o venceu no deserto, utilizando sempre a espada do Espírito, a Palavra de Deus.
Cheio do Espírito Santo, Jesus seguiu para a Galileia, chegando a Nazaré, onde viveu a maior parte de sua vida terrena. Entrou na Sinagoga, tomou o rolo do Livro de Isaías e leu: "O Espírito do Senhor está sobre mim, pelo que me ungiu para pregar, para curar e para libertar".
Jesus chamou 12 homens, aos quais deu o nome de Apóstolos, investindo a maior parte de seu tempo para treiná-los e discipulá-los. Ele percorreu a Galileia, a Peréia, a Samaria e a Judeia, pregando nas cidades, nas vilas, nos campos, nas sinagogas e no Templo, pregando ao ar livre, na praia e para multidões, bem como para pequenos grupos.
Jesus andou por toda parte, fazendo o bem e libertando todos os oprimidos pelo diabo. Ele curou os enfermos, alimentou os famintos, deu vista aos cegos, aprimorou os paralíticos, fez andar os coxos, deu audição aos surdos, purificou os leprosos, libertou as pessoas e ressuscitou os mortos. Ele foi a suprema revelação de Deus aos homens, recebendo o nome de Emanuel, "Deus conosco", sendo o próprio Deus manifestado em carne.
A Morte e Ressurreição de Jesus
Jesus veio com uma missão definida: morrer por todos aqueles que o Pai lhe deu. Ele nasceu para morrer, a fim de que pudéssemos viver. O apóstolo Paulo foi enfático em dizer que ele morreu pelos nossos pecados, segundo as Escrituras, foi sepultado e ressuscitou ao terceiro dia, também segundo as Escrituras. Sua morte não foi um acidente, nem sua ressurreição uma surpresa.
O diabo usou diversos artifícios para demovê-lo da cruz, mas Jesus marchou para ela como um rei caminha para a coroação. Na cruz, Jesus esmagou a cabeça da serpente e triunfou sobre os principados e potestades, expondo-os ao desprezo. Na cruz, ele consumou a obra da redenção, libertando-nos. A morte não pôde detê-lo, e ao terceiro dia, Jesus ressuscitou para nossa justificação.
A Ascensão e a Vinda do Espírito Santo
Antes de subir ao céu, Jesus instruiu os discípulos a permanecerem em Jerusalém, aguardando a promessa do Pai, até que fossem revestidos do poder do Espírito Santo. Ele falou sobre a capacitação do poder dado pelo Espírito Santo e deu a estratégia de ação a ser seguida, para que eles testemunhassem em Jerusalém, em toda a Judeia, Samaria e até os confins da terra.
Após o Pentecostes, a igreja explodiu em Jerusalém em um crescimento espantoso, com multidões sendo convertidas e agregadas a ela. O crescimento e a expansão da igreja de Jerusalém são registrados por Lucas até o capítulo 7 do Livro de Atos.
A Expansão da Igreja
Como a igreja ainda estava limitada à Judeia, Deus enviou uma perseguição contra ela, e os crentes foram dispersos, levando a palavra por onde iam. Assim, Filipe chegou a Samaria, quebrando os muros da inimizade e pregando ali o Evangelho com poder.
A conversão do perseguidor da igreja, Saulo de Tarso, no caminho de Damasco, foi um marco importante. Mais tarde, uma igreja gentílica, a igreja de Antioquia da Síria, tornou-se mãe das missões transculturais. Barnabé e Saulo partiram para a primeira viagem missionária, passando por Perge, Derbe, Icônio e Listra, estabelecendo igrejas e construindo presbitérios.
Na segunda viagem missionária, Paulo e Silas, por orientação divina, foram para as províncias da Macedônia e Acaia, plantando igrejas em Filipos, Tessalônica, Bereia e Corinto. Da Antioquia da Síria, Paulo escreveu as cartas aos Gálatas, Coríntios e duas cartas aos Tessalonicenses.
Na terceira viagem missionária, Paulo visitou a província da Ásia Menor, permanecendo 3 anos em Éfeso, a capital da província, de onde escreveu as duas cartas à igreja de Corinto. Nessa cidade cosmopolita, com mais de 300.000 habitantes, havia o Templo da deusa Diana, uma das sete maravilhas do mundo antigo.
Durante os anos em que Paulo passou na capital da Ásia Menor, igrejas foram plantadas em toda a província, como as de Esmirna, Pérgamo, Tiatira, Sardes, Filadélfia, Laodiceia, Colossos e Hierápolis.
O Fim da Jornada de Paulo
Devido à fome que assolou o mundo no tempo do Imperador Cláudio, os judeus foram expulsos de Roma, conforme registrado no Livro de Atos, capítulo 18, versículo 2. Paulo então organizou uma grande coleta entre as igrejas gentílicas para ajudar os pobres da Judeia.
Ao embarcar rumo a Jerusalém, Paulo comunicou aos presbíteros de Éfeso que, de cidade em cidade, o que o aguardava eram cadeias e tribulações. Mesmo assim, não levava em conta sua própria vida para cumprir seu ministério de anunciar o Evangelho da Graça de Deus.
Paulo foi preso em Jerusalém e transferido para Cesareia, onde foi acusado durante dois anos pelos judeus, sob a égide dos governadores Félix e Festo. Usando os privilégios de sua cidadania romana, Paulo optou por ser julgado em Roma. Na viagem para a capital do Império, enfrentou um terrível naufrágio, mas todos os passageiros e tripulantes foram salvos miraculosamente.
Em Roma, Paulo permaneceu preso durante dois anos em uma casa alugada, de onde evangelizou a guarda pretoriana e escreveu cartas para Efésios, Filipenses, Colossenses e Filemon. Após esse período, Paulo foi liberado da prisão e então escreveu a primeira carta a Timóteo e a carta a Tito.
Mas a partir do ano 64, a perseguição à igreja passou a ser política, e Paulo retornou à prisão, sendo encerrado em uma masmorra, um porão subterrâneo escuro, úmido e insalubre. Nessa segunda prisão, Paulo escreveu sua última epístola, a segunda carta a Timóteo, relatando a chegada de seu próprio martírio e a gloriosa esperança de tomar posse da coroa da justiça.
Assim, por volta do ano 67, o veterano apóstolo foi degolado, deixando para as gerações posteriores um bendito legado: o Novo Testamento, escrito em um período de 50 anos.
O Novo Testamento
O Novo Testamento é composto por 27 livros, divididos em quatro partes principais:
- Quatro Evangelhos Biográficos: Mateus, Marcos, Lucas e João, que apresentam Jesus de diferentes perspectivas.
- Um Livro Histórico: Atos dos Apóstolos, que narra os fatos relacionados à Igreja Primitiva desde o seu nascimento até a sua expansão à cidade de Roma.
- Cartas Apostólicas: As epístolas escritas por Paulo, Tiago, Pedro, João e Judas, dirigidas a igrejas e indivíduos.
- Um Livro Profético: O Apocalipse, escrito pelo apóstolo João, que narra a vitória triunfal de Cristo e de sua igreja.
Esse bendito legado do Novo Testamento é a nossa herança e nos chama a sermos continuadores da igreja que nasceu no Pentecostes. Que possamos aceitar a Jesus como nosso Salvador e permitir que Ele mude o nosso futuro, tirando de nós toda a tristeza, solidão e proporcionando o que mais precisamos. Deus te abençoe!
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